Anvisa apura 13 casos de suspeita de perda de visão após uso de canetas emagrecedoras no Brasil
Agência reforça que relatos ainda não comprovam relação causal entre remédios e visão
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de perda de visão registradas após o uso de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Do total, 12 relatos envolvem a semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, e um está relacionado à tirzepatida, presente no Mounjaro. A agência ressalta que, até o momento, não há confirmação de que os medicamentos tenham provocado os problemas relatados.
A condição analisada é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIANA), doença que compromete o nervo óptico e pode causar perda súbita da visão, além de danos permanentes em determinadas situações. Para estabelecer uma possível relação com os medicamentos, a Anvisa avalia fatores como diagnóstico, período entre o uso do remédio e o aparecimento dos sintomas, condições clínicas dos pacientes, uso de outros medicamentos e outras possíveis causas.
Em junho de 2025, a Anvisa já havia emitido um alerta sobre a ocorrência de perda repentina da visão como um evento adverso considerado muito raro associado à semaglutida. O risco passou a constar nas bulas de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus. A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente diante de perda súbita, visão turva ou piora rápida da visão. Caso a NOIANA seja confirmada, a orientação da agência é pela suspensão do tratamento com semaglutida, mediante avaliação profissional.
Entre 2018 e agosto de 2026, foram registradas pela Anvisa 24 notificações de suspeita de neuropatia isquêmica óptica associadas a diferentes medicamentos. Entre as notificações citadas estão cinco relacionadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. A agência destaca, porém, que os registros são de suspeitas de eventos adversos e não representam, isoladamente, comprovação de causa e efeito.
A Novo Nordisk, fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou que os dados disponíveis não confirmam uma relação causal entre a semaglutida e a NOIANA. A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, informou que acompanha continuamente os dados de segurança de seus medicamentos. A Anvisa reforça que medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida devem ser utilizados somente com prescrição médica, retenção da receita e acompanhamento profissional.
FOTO: Imagem criada por IA/Açoriana Fm



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